Luxo, calma e desejo...
sábado, 5 de fevereiro de 2011
by Edgar Allan Poe
Not long ago, the writer of these lines,
In the mad pride of intellectuality,
Maintained "the power of words"-denied that ever
A thought arose within the human brain
Beyond the utterance of the human tongue:
And now, as if in mockery of that boast,
Two words-two foreign soft disyllables-
Italian tones, made only to be murmured
By angels dreaming in the moonlit "dew
That hangs like chains of pearl on Hermon hill,"-
Have stirred from out the abysses of his heart,
Unthought-like thoughts that are the souls of thought,
Richer, far wilder, far diviner visions
Than even the seraph harper, Israfel
(Who has "the sweetest voice of all God's creatures"),
Could hope to utter. And I! my spells are broken.
The pen falls powerless from my shivering hand.
With thy dear name as text, though bidden by thee,
I cannot write-I cannot speak or think-
Alas! I cannot feel; for 'tis not feeling,
This standing motionless upon the golden
Threshold of the wide-open gate of dreams,
Gazing, entranced, adown the gorgeous vista,
And thrilling as I see, upon the right,
Upon the left, and all the way along,
Amid unpurpled vapors, far away
To where the prospect terminates-thee only.
Para _______ __________
Edgar Allan Poe, vertido por Cristiano Gomes
Já não faz muito tempo, que o autor dessas linhas,
No louco orgulho de intelectualidade,
Manteve "o poder das palavras" - negava que
Um pensamento vinha ao cérebro humano
Além da declaração da língua humana:
E agora, como zombando daquele elogio de si,
Duas palavras - dois doces dissílabos estrangeiros -
Tons italianos, feitos para serem sempre murmurados
Por anjos dormindo no, sempre iluminado pela lua, "orvalho
Pendurado como colar de pérolas em Hermon Hill,"-
Se moveram para fora dos abismos do seu coração,
Palavras quase impensadas, mas que são a alma do pensamento,
Mais rico, bem mais selvagem, visões bem mais divinas
Que mesmo o serafim de harpa, Israfael
(Que tem "a mais doce voz de todas as criaturas de Deus")
Teria querido declarar. E eu! Meus feitiços se quebraram.
A caneta se deixa cair impotente da minha mão imobilizada.
Com teu doce nome por texto, apesar de comandado por ti,
Não posso escrever - Não posso falar ou pensar -
Ei-lo! Não posso sentir; Pois não é sentimento,
Esse meu ficar parado na dourada
Fronteira do escancarado portão dos sonhos,
Observando, em transe, a vista deslumbrante abaixo
E emocionante como vejo, à direita,
À esquerda,e por todo lugar,
Por entre vapores sem importância, longe
Para onde a busca termina - apenas você.
sábado, 4 de dezembro de 2010

Novo baixo
[Quando a baixista deixa a banda]
E então você se foi
Tudo escureceu
E a chuva que caiu
Me forçou a ouvir
O som desse piano
O grito dos vocais
Mas me falta o seu baixo
E tudo se desfaz
“A guitarra sensual
Tomou-me o baixo
E foram solar juntos, juntos
Juntos além-mar”
Silêncio no piano
Um nó nos meus vocais
Foi-se o baixo e a guitarra
Mas nem tudo se vai
“Venham todos
Todos para a nova audiência
A antiga banda Coração Partido
Busca membros para a Novo Baixo”
Agora,
Tudo mudou
Nova banda
Novo amor
Novo baixo
Uma nova vida
O antigo se renovou!
E soa o teclado
Ecoam os vocais
Mudanças nessa banda
Sucesso que nos traz
segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Quando eu te olho
e tu me olhas
nasce em mim algo de novo
dentro do meu coração
esse algo novo, aqui denovo
sempre, sempre faz um jogo
na minha imaginação
E eu creio que te amo
e creio que sou amado
e o coração pulsando
já está enfeitiçado
sou um espectador
anônimo
um espectador
sem dono
Quando eu te olho
e não me olhas
fica sempre na memória
o sabor da rejeição
esse gosto azedo, azar, denovo
é uma peça nesse jogo
da minha indecisão
Mas eu creio que te amo
me assombra a solidão
e o coração pulsando
me diz "ame com paixão"
mas a mente vai pensando...
e me vem a indecisão
sou um espectador anônimo
na própria indefinição
domingo, 28 de novembro de 2010
De vez em quando,
no instante de um traço,
como fosse um rascunho de um sonho,
penso que por ti sou amado.
E nesse mero instante,
num ínfimo acaso, na rua,
olhando bem no interior dos teus olhos,
imagino a tua alma nua.
E minhas sombras conselheiras,
daquelas que só aos loucos atormentam,
me convencem que tu me amas
e que teu olhar era a prova daquele afeto.
Leitor amigo,
nunca confie em fantasmas noturnos
eles não sabem nada sobre a paixão
me levaram a uma acre-doce ilusão
Num jogo infantil de minha mente
Erotomania. Esquizofrenia.
No frio áspero da meia noite
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
A Peça Escocesa
Somos as três sombras do hoje
somos os três olhos do amanhã
somos três, três irmãs
três vezes trinta e três vezes
trinta e três vezes
as sombras e os olhos dos tempos
Somos o mal que engole a luz
somos a luz que encobre o mal
somos três, três bruxas
três vezes trinta e três vezes
trinta e três vezes
o mal que nasce da luz
Rei da Escócia, salve!
Barão de Cawdor, salve!
barão de Glamis, salve!
trinta e três vezes três vezes
três vezes amaldiçoado
pela bênção que é a ambição
Trinta e três vezes três vezes
três vezes corrupto
podre de corpo e alma
trinta e três vezes três vezes
três vezes morto
menos vivo que Duncan
menos vivo que Banquo
Colhe os frutos que
nascem dos ramos que
crescem do mal que
semeaste em teu coração
Rega as flores rubras de sangue
com líquido ainda mais rubro
que escorre dos
vinte profundos veios
que tu mesmo abriste em tua moral
Que sois Macbeth
Que sois Cawdor
Que sois Glamis
Que sois Escócia
Trinta e três vezes três vezes
três vezes maldito
sois um fantasma
alma penada
que não resiste em assombrar
toda vez em que se pronuncia
o nome da Peça Escocesa
domingo, 14 de novembro de 2010
par Charles Baudelaire
Ma jeunesse ne fut qu’un ténébreux orage,
Traversé çà et là par de brillants soleils ;
Le tonnerre et la pluie ont fait un tel ravage
Qu’il reste en mon jardin bien peu de fruits vermeils.
Voilà que j’ai touché l’automne des idées,
Et qu’il faut employer la pelle et les râteaux
Pour rassembler à neuf les terres inondées,
Où l’eau creuse des trous grands comme des tombeaux.
Et qui sait si les fleurs nouvelles que je rêve
Trouveront dans ce sol lavé comme une grève
Le mystique aliment qui ferait leur vigueur ?
— Ô douleur ! ô douleur ! Le Temps mange la vie,
Et l’obscur Ennemi qui nous ronge le cœur
Du sang que nous perdons croît et se fortifie !
-
O INIMIGO
Charles Baudelaire, vertido por Cristiano Gomes
Minha juventude foi apenas um tenebroso mau tempo,
Entrecortado aqui e ali por brilhantes ensolarados;
O trovão e a chuva me feriram tanto com seu vento
Que me restam no jardim escassos frutos avermelhados.
Eis então que alcancei o outono das idéias
Quando se necessita da pá e do ancinho o uso
Para assemelhar ao novo as inundadas terras,
Onde a água esvazia em fossas como fossem túmulos.
E quem sabe se as flores novas que penso
Encontrarão nessa areia lavada como a da praia
Seu vigor a sorvir desse místico alimento?
— Ó dor! Ó dor! O Tempo devora a vida,
E o umbroso Inimigo que nos rói o coração
Com o sangue que perdemos cresce e fortifica!
