Ah, o sorriso misterioso da Mona Lisa! Eu sempre tento ler as pessoas, e sempre em seduzo por aquelas que eu não consigo ler. Adoro um enigma, um mistério. E por isso adoro conversar com artistas. Sejam atores, pintores, fotografos, poetas a alma de cada artista é um mistério a ser decifrado, a ser admirado como os mistérios sagrados dos católicos. Eis o mistério da alma, eis o mistério das minhas musas.
A Mona Lisa também é chamada em italiano de La Gioconda, e em francês de La Joconde. Etimológicamente podemos ligar esse segundo nome a gioco (jogo), que vem do latim jocus(jogo) através da sua derivada jocundus(bom, que se opunha a turpis, mau). A palavra jocus significava uma brincadeira, muita vez de mau gosto. Essa palavra se popularizou, e então desbancou a palavra ludus(jogo), que é a raiz etimológica de várias palavras como lúdico, ludibriar, lucrar, lograr, iludir(fazer entrar no jogo), aludir(aproximar-se da idéia do jogo), prelúdio(que antecipa o jogo), e do radical do supino lusum deu ilusão, dentre outras. Pra mais informações sobre o ludus, leiam a edição de setembro [nº59] da Língua Portuguesa.
Bom, agora que quem leu já está de saco cheio de etimologia, vamos à minha poesia:
O Sorriso da Gioconda
Queria te entender
Poder ler você
Como leio um livro:
Devagar,
Com gosto,
Com prazer...
Como se ama:
Devagar,
Com gosto,
Com prazer...
Como eu te amo...
Queria ver através dos seus olhos
E olhar para dentro de sua alma
Queria ver através desse sorriso indecifrável
De amor ou de desprezo
Queria ver você
Atrás de você
Através de você
Além de você
O você que não é você
O você que não se vê
Bom, agora a intertextualidade, que são duas releituras da Mona Lisa:
A Monicalisa, do Maurício de Souza
Em 1919, o dadaísta Marcel Duchamp pintou sobre uma reprodução barata da Mona Lisa um bigode e uma pêra, e a inscrição LHOOQ (que significa Elle a chaud au cul, literalmente "Ela tem calor no pescoço")

"A Gioconda sorri porque todos os que lhe puseram bigodes estão mortos" - André Malraux
Le rire (The laugh) de Sapeck (Eugène François Bonaventure Bataille) (1883)
Monna Vanna, obra de Salai, aluno de Leonardo da Vinci.