Quando eu te olho e tu me olhas nasce em mim algo de novo dentro do meu coração esse algo novo, aqui denovo sempre, sempre faz um jogo na minha imaginação
E eu creio que te amo e creio que sou amado e o coração pulsando já está enfeitiçado sou um espectador anônimo um espectador sem dono
Quando eu te olho e não me olhas fica sempre na memória o sabor da rejeição esse gosto azedo, azar, denovo é uma peça nesse jogo da minha indecisão
Mas eu creio que te amo me assombra a solidão e o coração pulsando me diz "ame com paixão" mas a mente vai pensando... e me vem a indecisão sou um espectador anônimo na própria indefinição
Somos as três sombras do hoje somos os três olhos do amanhã somos três, três irmãs três vezes trinta e três vezes trinta e três vezes as sombras e os olhos dos tempos
Somos o mal que engole a luz somos a luz que encobre o mal somos três, três bruxas três vezes trinta e três vezes trinta e três vezes o mal que nasce da luz
Rei da Escócia, salve! Barão de Cawdor, salve! barão de Glamis, salve! trinta e três vezes três vezes três vezes amaldiçoado pela bênção que é a ambição Trinta e três vezes três vezes três vezes corrupto podre de corpo e alma trinta e três vezes três vezes três vezes morto menos vivo que Duncan menos vivo que Banquo
Colhe os frutos que nascem dos ramos que crescem do mal que semeaste em teu coração
Rega as flores rubras de sangue com líquido ainda mais rubro que escorre dos vinte profundos veios que tu mesmo abriste em tua moral
Que sois Macbeth Que sois Cawdor Que sois Glamis Que sois Escócia Trinta e três vezes três vezes três vezes maldito sois um fantasma alma penada que não resiste em assombrar toda vez em que se pronuncia o nome da Peça Escocesa
domingo, 14 de novembro de 2010
L’ENNEMI par Charles Baudelaire
Ma jeunesse ne fut qu’un ténébreux orage, Traversé çà et là par de brillants soleils ; Le tonnerre et la pluie ont fait un tel ravage Qu’il reste en mon jardin bien peu de fruits vermeils.
Voilà que j’ai touché l’automne des idées, Et qu’il faut employer la pelle et les râteaux Pour rassembler à neuf les terres inondées, Où l’eau creuse des trous grands comme des tombeaux.
Et qui sait si les fleurs nouvelles que je rêve Trouveront dans ce sol lavé comme une grève Le mystique aliment qui ferait leur vigueur ?
— Ô douleur ! ô douleur ! Le Temps mange la vie, Et l’obscur Ennemi qui nous ronge le cœur Du sang que nous perdons croît et se fortifie !
-
O INIMIGO Charles Baudelaire, vertido por Cristiano Gomes
Minha juventude foi apenas um tenebroso mau tempo, Entrecortado aqui e ali por brilhantes ensolarados; O trovão e a chuva me feriram tanto com seu vento Que me restam no jardim escassos frutos avermelhados.
Eis então que alcancei o outono das idéias Quando se necessita da pá e do ancinho o uso Para assemelhar ao novo as inundadas terras, Onde a água esvazia em fossas como fossem túmulos.
E quem sabe se as flores novas que penso Encontrarão nessa areia lavada como a da praia Seu vigor a sorvir desse místico alimento?
— Ó dor! Ó dor! O Tempo devora a vida, E o umbroso Inimigo que nos rói o coração Com o sangue que perdemos cresce e fortifica!
terça-feira, 9 de novembro de 2010
A Dream Within a Dream
By Edgar Allan Poe
Take this kiss upon the brow!
And, in parting from you now,
Thus much let me avow—
You are not wrong, who deem
That my days have been a dream;
Yet if hope has flown away
In a night, or in a day,
In a vision, or in none,
Is it therefore the less gone?
All that we see or seem
Is but a dream within a dream.
A dream within a dream
I stand amid the roar
Of a surf-tormented shore,
And I hold within my hand
Grains of the golden sand—
How few! yet how they creep
Through my fingers to the deep,
While I weep—while I weep!
O God! can I not grasp
Them with a tighter clasp?
O God! can I not save
One from the pitiless wave?
Is all that we see or seem
But a dream within a dream?
Um Sonho que num Sonho acontece(Edgar Allan Poe, vertido por Cristiano Gomes)
Toma este beijo na testa, querida!
E, eis que chega a hora de minha partida!
Além disso, tenha uma coisa sabida:
Não estás errada, quem pensa:
Que meus dias são um sonho apenas
Ainda se a esperança com o vento foi-se
Em um dia, ou numa noite
Numa visão, ou em visão nenhuma
É verdade que ela se esfuma?
Tudo que de fato vemos ou que parece
Não é mais que um sonho que num sonho acontece
E me vejo entre o barulho
Das ondas do porto e seu marulho
E nas minhas mãos retenho areia
De grãos dourados como o sol que me incendeia
Tão poucos! E tanto que mergulham
Pelos meus dedos, ao profundo
Enquanto choro... para o mundo!
Oh, Deus! Não posso evitar,
Nem com um mais forte apertar?
Oh, Deus! Não posso salvar
Apenas um do insensível mar?
É verdade que tudo que vemos ou que parece
Não é mais que um sonho que num sonho acontece?
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Rascunho
Não são os olhos Nem a boca Nem o sorriso Nem os cabelos Nem cada um de seus traços Num conjunto harmônico
O mais bonito em você É como, com cada um desses traços Você cria um rascunho perfeito, De beleza e bondade Um sorriso, Um olhar, Um charme!
sábado, 30 de outubro de 2010
Entre a Cruz e a Espada _________________________________ uma curta história sobre redenção
Prólogo: Abutre aos abutres
e então acorda. Seus fantasmas o perseguem "Ai, vindes outra vez, inquietas sombras!" Era um mercador, antes um usurário e mais, assassino: indiretamente ceifara vidas que definharam, se prostituiram e roubaram em nome de seus títulos e de suas armas.
Arrependido, não mais podia conviver com isso deixou o ramo, deixou o dinheiro e se tornou mais um entre os mendigos mais um entre os explorados pelos agiotas, abutres de Prometeu
Nunca perdoado pelos homens, antes o mais sacrificado entre os explorados, procura o perdão de Deus, e à igreja se dirige, com uma multidão de fiéis que aguardam a redenção e a salvação...
Parte I: Em nome de Deus.
"Mas, padre, se a guerra é Santa porque eu tenho que derramar tanto sangue?" "O sacrifício dos infiéis redimirá teus pecados." "Como?" "Jesus foi batizado com água, tu serás batizado com sangue." "Mas...e os mandamentos?" "Só vai. Essa é a vontade de Deus"
Invadir. Destruir. Matar os impuros. Que Deus é esse que eu não conheço? Derramar sangue, derrubar os muros. Se salvar, se salvar a qualquer preço.
Parte II: A Cruz e a Espada
Pilhagens e pilhages de mercadorias, moedas e corpos de corpos, de almas, de sangue de sangue escorrendo escorrendo impuro e fiel fiel que não pesa a alma ou o sopro divino no eterno verbo que no inicio era amar e hoje é matar matar ou morrer
"Na pior das hipóteses morrerás. Não te preocupes. Morra por Deus e serás salvo"
Com a cruz e a espada eu fui à luta. Nela joga-se a cruz fora, Ela não te protege contra força bruta. Deus, Uma infiel está sob a minha lâmina agora.
Parte III: Dez segundos
Por dez segundos meu coração parou e minha mente correu correu por um espaço infinito que findou por me levar de volta à igreja
O padre de minhas confissões de minhas penitências e que me levou a essa jornada insana nos limites entre o certo e o errado ...o profano e o sagrado... ...a virtude... e o pecado...
Minha lâmina acaricia a face da bela infiel seus olhos negros me soam pecado pecado de sua opção, de não crer no divino de equiparar meu Deus em Cristo e Maomé pecado maculado de heresia vermelha vermelha de sangue ainda em suas veias, e vermelha de vinho, da maçã daquela maçã que todos provamos
É realmente bela a infiel imagino que, pelos traços, seria mãe de belas crianças e imagino que, pelos traços, deve ser linda debaixo do véu talvez mais linda ainda debaixo dos lençóis...
Não! Ai, terrível dama! trouxeste no seio rubro de tua maçã a serpente original e me tentaste, me tentaste ao pecado! O padre está certo, os infiéis são um mal a ser expurgado da Terra Santa à Cruz e à Espada!
Parte IV: Quem manda?
"Caso necessário faça pilhagens pelo caminho" "Sétimo mandamento sagrado de Deus: Não furtar" "Décimo mandamento sagrado de Deus: Não cobiçar as coisas alheias" "Mate-a, deixe o rubro escorrer e te purificar." "Quinto mandamento sagrado de Deus: Não matar"
Borrando o conceito de virtude e pecado Padre, me fizeste sentir assim. Já não sei o que é certo ou o que é errado.
Deus! Esta pequena é realmente culpada? Quem bateu o martelo em seu julgamento? A Cruz que perdoa, é também o revés da Espada? ou são a Espada e a Cruz duas formas da mesma coisa? qual mandamento devo seguir, os revelados a Moisés no Sinai? ou os do padre devo cumprir? Dai-me uma réstia de Vossa Luz, Pai!
Parte V: Sob a mercê
Entre a cruz e a espada estou agora é bela a infiel. A lâmina encosta em sua face Padre, me fizestes jogar a palavra sagrada fora? És tu o Diabo sob disfarçe?
Os mandamentos mosaicos formam um mosaico perplexo em minha mente cacos de uma verdade, absoluta? espelhos de minh'alma dissoluta não, não vou ser cúmplice desse holocausto frenético e colar os fragmentos do Santo e do Ético
Não sou mais parte dessa cruzada Viro a lâmina em mim, Me ponho à mercê do fio da espada.
Parte VI: Réstia de Sua Luz
Não, não ainda Percebo agora a verdade Mil vidas são ceifadas nessa terra pelos mandos de uma só voz
Não, não ainda Percebo a minha missão agora Uma vida será ceifada em nome de mil e mil testemunhas me defenderão no tribunal do Sagrado
Parte VII: Um pouco de redenção
"Ah, meu filho, Que alegria me dá vê-lo bem. Tiveste sucesso em sua campanha?"
"Sim, padre, tive sucesso em minha jornada alcancei a Verdade que vinha buscando, o que nos leva à próxima questão..."
"Qual seria?"
"Eu te trouxe um pouco de redenção, Padre"
Parte VIII: O vinho da redenção Finalmente me sinto pronto Meu fio da espada agora rubro Me parece uma clepsidra ainda disposta a beber de mais vinho o vinho da redenção que me foi oferecido profeticamente pelo senhor que enviei agora para o País Desconhecido que inda citará o principe da Dinamarca
Não, não me arrependo de nada e ainda me arrependo de tanto! O que foi, está feito, feito está e não cabe a mim julgar, e sinto que sou citado pelo Tribunal Celeste ouço a trombeta da anunciação, Gabriel, e ela toca a minha marcha fúnebre
Dirá o poeta: "Le gouffre a toujours soif, La clepsydre se vide" e eu remendo: Ma clepsydre a toujours soif, et donc, je lui donnerais du vin, de mon vin de rédemption Parte IX: Julgamento
Boa noite, Santo meritíssimo, Estou aqui para expor os fatos: O réu em questão foi violentíssimo, Ele tem de pagar pelos seus atos
“Oh! Que será que ele fez?” “Meu Deus, deve ser perigoso!” “Ordem no tribunal!”
O réu se julgava justo, Quando ceifou a vida de milhares, Imagina o meu susto, Quando em sua defesa ele culpou o padre!
“Oh, o padre?” “Traga o padre!”
Deus! Esse diabinho é um verdadeiro mau agouro! Eu ordenei o massacre, sim, Mas ele não devia ter ceifado a mim como a um mouro! Eu, que fiz tudo seguindo Vossa palavra tim tim por tim tim! Meritíssimo, joga o réu ao fogo!
“O acusado tem algo a dizer em sua defesa?” “Seja feita a vossa vontade, me submeto à Justiça da Cruz..”
Mil vozes de inocentes objetaram As boas intenções do ex-usurário Se converteram em votos de confiança E ao mero escutar das vozes, O Juiz compreendeu que a Justiça da Espada já tinha sido feita e que justiça deveria ser paga com justiça
“Que a Espada da Justiça seja justa, levem-no daqui!”
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
TO THE VIRGINS, TO MAKE MUCH OF TIME. by Robert Herrick
GATHER ye rosebuds while ye may, Old time is still a-flying : And this same flower that smiles to-day To-morrow will be dying.
The glorious lamp of heaven, the sun, The higher he's a-getting, The sooner will his race be run, And nearer he's to setting.
That age is best which is the first, When youth and blood are warmer ; But being spent, the worse, and worst Times still succeed the former.
Then be not coy, but use your time, And while ye may go marry : For having lost but once your prime You may for ever tarry.
PARA AS VIRGENS, QUE FAÇAM PROVEITO DE SEU TEMPO Robert Herrick, vertido por Cristiano Gomes
COLHA tuas rosas enquanto podes O velho tempo corre sem fim, E a mesma flor que hoje sorri No amanhã jovem morre
O lume glorioso do céu, chamado Hélio No seu incansável diário subir Tem seu incansável diário cair E seu diario morrer, sem jamais ser velho
Que a melhor das idades é sempre a primeira, Quando são mais quentes o sangue e a juventude Que de mal vai a pior, a cada minuto que se use E de pior em pior se vai, até a hora derradeira
Que não te acanhes, e que o tempo aproveites E ainda que te cases um dia: Quando perderes a juvenil primazia Que pode ser que para sempre espreites
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Analogia
Espinhos bem armados
Para proteger-me de mim mesmo
Pele bem grossa para me adaptar
e a doce água dentro de mim
Queima-me ferozmente o sol
Seus raios dão-me vida
e dão me morte
tal qual o ar que eu respiro
Então passa um sertanejo
Armado, para proteger-se
com pele grossa, grossa
para se adaptar
com menos doce água dentro em si
mas forte para pela vida pelejar
Queima-lhe ferozmente o sol
Mas a dificuldade dá-lhe vida
dá-lhe vida e morte
e o ar, o ar dá-lhe forças para lutar
terça-feira, 19 de outubro de 2010
O último suspiro da Maçã de Prata
Imensas muralhas, impenetráveis antes
Ora tremem ante a gigante bombarda
Constantino e sua famosa armada
Defendem sua capital agonizante´
A última ruína da Grande Roma,
Que pôde sobreviver a armas e anos,
Perdida, para sempre, para os otomanos
Entre pedaços de sua antiga redoma
Constantinopla, cercada, ora perdida!
Sua catedral agora é uma mesquita!
Cristo esquecerá que você existiu...
A lua se apagou sobre o seu negro céu
Suas mulheres usarão sempre véu
E só Maomé lembrará o seu nome
Ah, o sorriso misterioso da Mona Lisa! Eu sempre tento ler as pessoas, e sempre em seduzo por aquelas que eu não consigo ler. Adoro um enigma, um mistério. E por isso adoro conversar com artistas. Sejam atores, pintores, fotografos, poetas a alma de cada artista é um mistério a ser decifrado, a ser admirado como os mistérios sagrados dos católicos. Eis o mistério da alma, eis o mistério das minhas musas.
A Mona Lisa também é chamada em italiano de La Gioconda, e em francês de La Joconde. Etimológicamente podemos ligar esse segundo nome a gioco (jogo), que vem do latim jocus(jogo) através da sua derivada jocundus(bom, que se opunha a turpis, mau). A palavra jocus significava uma brincadeira, muita vez de mau gosto. Essa palavra se popularizou, e então desbancou a palavra ludus(jogo), que é a raiz etimológica de várias palavras como lúdico, ludibriar, lucrar, lograr, iludir(fazer entrar no jogo), aludir(aproximar-se da idéia do jogo), prelúdio(que antecipa o jogo), e do radical do supino lusum deu ilusão, dentre outras. Pra mais informações sobre o ludus, leiam a edição de setembro [nº59] da Língua Portuguesa.
Bom, agora que quem leu já está de saco cheio de etimologia, vamos à minha poesia:
O Sorriso da Gioconda
Queria te entender Poder ler você Como leio um livro: Devagar, Com gosto, Com prazer...
Como se ama: Devagar, Com gosto, Com prazer...
Como eu te amo...
Queria ver através dos seus olhos E olhar para dentro de sua alma Queria ver através desse sorriso indecifrável De amor ou de desprezo Queria ver você Atrás de você Através de você Além de você O você que não é você O você que não se vê
Bom, agora a intertextualidade, que são duas releituras da Mona Lisa:
A Monicalisa, do Maurício de Souza
Em 1919, o dadaísta Marcel Duchamp pintou sobre uma reprodução barata da Mona Lisa um bigode e uma pêra, e a inscrição LHOOQ (que significa Elle a chaud au cul, literalmente "Ela tem calor no pescoço")
"A Gioconda sorri porque todos os que lhe puseram bigodes estão mortos" - André Malraux
Le rire (The laugh) de Sapeck (Eugène François Bonaventure Bataille) (1883)
Monna Vanna, obra de Salai, aluno de Leonardo da Vinci.
- Renato Russo, antes de tocar a música "Fábrica"; álbum As Quatro Estações ao Vivo (2004)
Guerra é um tema recorrente em muitos âmbitos. Decidi que as minhas postagens serão temáticas, com vários assuntos. Meu objetivo não é dissertar sobre o tema, mas postar uma poesia minha e alguns textos com o mesmo tema. Hoje eu vou por algumas músicas sobre guerra, de forma a poder mostrar um pouco do universo da guerra. Imagino que vai ser uma postagem longa, mas as pessoas podem ler só o que interessa (o que pode ser nada ou tudo, dependendo da pessoa).
Fiz uma pequena pesquisa etimológica sobre a palavra guerra. Parece que a raiz dela é germânica, apesar de os povos germânicos da época não terem uma palavra que exatamente significasse guerra. Werra, significava conflito, discórdia, confusão. Essa palavra parece ter originado o inglês worse(pior) e foi latinizada posteriormente para guerra, daí nossa palavra. A palavra latina para guerra era Bellus, Belli, o que provavelmente causava confusão com a palavra das linguas neo-latinas belo, bello, belle, e para evitar confusões essa palavra foi instintivamente abandonada, como diz o Oxford English Dictionary. Vale ressaltar que o radical de bellus, belli ainda pode ser encontrado em palavras como bélico, belicoso, beligerante etc. e que os alunos de Direito conhecem a palavra em termos, expressões e aforismos latinos, como o querido Jus Belli, direito da guerra ou justiça da guerra (jus significa direito ou justiça, romanos não leram Kelsen). A maioria dessas considerações pode ser encontrada aqui, outras eu esquisei no meu Houaiss, e algumas outras eu consegui discutindo o assunto com meu professor de latim. Aliás, se alguém quiser ter aulas particulares de francês, alemão, latim, inglês, espanhol, português ou italiano, me mande um e-mail, que eu ponho em contato com o meu professor.
Bom, cortando o papo etimológico, vamos à poesia. Eu li um pouco sobre segunda guerra mundial ra poder reescrever essa poesia direito hoje, ficou muito melhor do que era antes, aí vai:
Tem alguém aí fora?
Parte um: A despedida
“25 de outubro de 1942, O Exército Britânico convoca o Senhor Kriegsopfer Para compor uma unidade no front em El Alamein, Devido às recentes necessidades de reforços no local”
“Papai! Quando você vai voltar?” “Papai vai só fazer uma viagem a trabalho, querida, Papai volta logo, viu? Logo, logo você vai ver um avião no céu!”
“Tchau, amor.” “Não se preocupe, querido. Tudo vai ficar bem.” “Eu te amo, sabia?” "Vá sem medo amor, nós nos veremos de novo em algum dia de sol..."
Parte dois: Fugindo
"Você acha que o ataque será bem sucedido?" "A Operação Supercharge vai ser um sucesso, Essa Guerra não vai ser a mesma depois..." "Bom, vamos para a estação então.”
Boom! Boom! Boom! Boom!
Então esse é o fim? Acabou o meu tormento? Eu não queria que fosse assim... mas vou aproveitar o momento paz e tranqüilidade, enfim!
A operação foi bem sucedida, E a guerra foi vencida Mas por quem? Por pais mortos, Viúvas? Órfãos? Atiramos bombas em quem? Estamos em guerra contra espelhos Você não pode correr, e nem se esconder: Vai atirar? Você não quer pensar melhor?
Será que morrer é fugir? será que matar é vencer? será que morrer é sair? Será que matar é libertar? porquê será que eu estou fugindo?
Boom! TRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM!
Parte três: E agora?
"Eins, zwei, drei, alle!"
TRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM!
“Alô?” “Meus pêsames, madame, seu marido, bravo combatente, faleceu defendendo a Grã Bretanha, Numa ofensiva, em El Alamein "
E agora? o que vou fazer? Seguir em frente? Ora... ...que melhora? E você? ora por mim? olha por mim? As coisas vão melhorar?
"Olha, mamãe! Tem um avião lá no céu!" "Vá sem medo amor, nós nos veremos de novo em algum dia de sol..."
Porquê você me deixou dessa forma? O quê eu vou fazer? Porquê você teve de fugir?
"Tem alguém aí fora?"
Bom, agora como eu disse lá em cima, vou postar algumas músicas sobre guerra, com vídeos do youtube. As letras na língua original são deste site. O critério que eu usei foi o quanto a letra me soou genial, então é bem subjetivo.
Army Dreamers, Kate Bush
"B.F.P.O.*" Army dreamers. "Mammy's hero." "B.F.P.O." "Mammy's hero."
Our little army boy Is coming home from B.F.P.O. I've a bunch of purple flowers To decorate a mammy's hero.
Mourning in the aerodrome, The weather warmer, he is colder. Four men in uniform To carry home my little soldier.
"What could he do? Should have been a rock star." But he didn't have the money for a guitar. "What could he do? Should have been a politician." But he never had a proper education. "What could he do? Should have been a father." But he never even made it to his twenties. What a waste -- Army dreamers. Ooh, what a waste of Army dreamers.
Tears o'er a tin box. Oh, Jesus Christ, he wasn't to know, Like a chicken with a fox, He couldn't win the war with ego.
Give the kid the pick of pips, And give him all your stripes and ribbons. Now he's sitting in his hole, He might as well have buttons and bows.
"What could he do? Should have been a rock star." But he didn't have the money for a guitar. "What could he do? Should have been a politician." But he never had a proper education. "What could he do? Should have been a father." But he never even made it to his twenties. What a waste -- Army dreamers. Ooh, what a waste of Army dreamers. Ooh, what a waste of all that Army dreamers, Army dreamers, Army dreamers, oh...
("B.F.P.O.") Did-n-did-n-did-n-dum... Army dreamers. Did-n-did-n-did-n-dum... ("Mammy's hero.") ("B.F.P.O.") Army Dreamers. ("Mammy's hero.") ("B.F.P.O.") No harm heroes. ("Mammy's hero.") ("B.F.P.O.") Army dreamers. ("Mammy's hero.") ("B.F.P.O.") No harm heroes. [*--"B.F.P.O.": British Forces Posted Overseas.]
A Canção do Senhor da Guerra, Renato Russo
Existe alguém esperando por você Que vai comprar a sua juventude E convencê-lo a vencer
Mais uma guerra sem razão E já são tantas as crianças com armas na mão Mas explicam novamente que a guerra gera empregos Aumenta a produção
Uma guerra sempre avança a tecnologia Mesmo sendo guerra santa Quente, morna ou fria Pra que exportar comida? Se as armas dão mais lucros na exportação
Existe alguém que está contando com você Pra lutar em seu lugar já que nessa guerra Não é ele quem vai morrer
E quando longe de casa Ferido e com frio o inimigo você espera Ele estará com outros velhos Inventando novos jogos de guerra
Que belíssimas cenas de destruição Não teremos mais problemas Com a superpopulação Veja que uniforme lindo fizemos pra você E lembre-se sempre que Deus está Do lado de quem vai vencer
O senhor da guerra Não gosta de crianças O senhor da guerra Não gosta de crianças O senhor da guerra Não gosta de crianças O senhor da guerra Não gosta de crianças O senhor da guerra Não gosta de crianças
Era um Garoto que como eu amava os Beatles e os Rollings Stones, Engenheiros do Hawaíi
Era um garoto Que como eu Amava os Beatles E os Rolling Stones..
Girava o mundo Sempre a cantar As coisas lindas Da América...
Não era belo Mas mesmo assim Havia uma garotas à fim Cantava Help And Ticket To Ride Oh Lady Jane, Yesterday...
Cantava viva, à liberdade Mas uma carta sem esperar Da sua guitarra, o separou Fora chamado na América...
Stop! Com Rolling Stones Stop! Com Beatles songs Mandado foi ao Vietnã Lutar com vietcongs...
Tatá-tá tá tá... Tatá-tá tá tá... Tatá-tá tá tá... Tatá-tá tá tá... Tatá-tá tá tá... Tatá-tá tá tá... Tatá-tá tá tá...
Era um garoto Que como eu! Amava os Beatles E os Rolling Stones Girava o mundo Mas acabou! Fazendo a guerra Do Vietnã...
Cabelos longos Não usa mais Nem toca a sua Guitarra e sim Um instrumento Que sempre dá A mesma nota Ra-tá-tá-tá...
Não tem amigos Não vê garotas Só gente morta Caindo ao chão Ao seu país Não voltará Pois está morto No Vietnã...
Stop! Com Rolling Stones Stop! Com Beatles songs No peito um coração não há Mas duas medalhas sim....
Tatá-tá tá tá... Tatá-tá tá tá... Tatá-tá tá tá... Tatá-tá tá tá... Tatá-tá tá tá... Tatá-tá tá tá... Tatá-tá tá tá...
Ra-tá-tá tá-tá ... Ra-tá-tá tá-tá ...
Pouca gente sabe que a original da Era um Garoto é italiana, "Gianni Morandi - C'Era un Ragazzo Che Come Me Amava I Beatles E I Rolling Stones", vou por aqui embaixo:
C'era un ragazzo che come me amava i Beatles e i Rolling Stones girava il mondo veniva da gli Stati Uniti d'America Non era bello ma accanto a sé aveva mille donne se cantava Help, Ticket to Ride, o Lady Jane, o Yesterday, cantava viva la Libertà ma ricevette una lettera La sua chitarra mi regalò fu richiamato in America Stop ! Coi Rolling Stones ! Stop ! Coi Beatles stop ! M'han detto “va nel Viet-nam E spara ai Viet-cong” tatatatatatatatata…………
C'era un ragazzo Che come me amava i Beatles e i Rolling Stones Girava il mondo e poi finì a far la guerra nel Viet-Nam Capelli lunghi non porta più non suona la chitarra ma uno strumento che sempre dà la stessa nota “ta.ra.ta.ta” Non ha più amici, non ha più fans, vede la gente cadere giù, nel suo paese non tornerà, adesso è morto nel Viet-Nam. Stop ! Coi Rolling Stones ! Stop ! Coi Beatles, stop ! Nel petto un cuore più non ha. ma due medaglie o tre tatatatatatatatatatata
Brothers in Arms, Mark Knopfler
These mist covered mountains Are a home now for me But my home is the lowlands And always will be Some day you'll return to Your valleys and your farms And you'll no longer burn To be brothers in arms
Through these fields of destruction Baptisms of fire I've watched all your suffering As the battles raged higher And though they did hurt me so bad In the fear and alarm You did not desert me My brothers in arms
There's so many different worlds So many different suns And we have just one world But we live in different ones
Now the sun's gone to hell And the moon's riding high Let me bid you farewell Every man has to die But it's written in the starlight And every line on your palm We're fools to make war On our brothers in arms
Goodbye Blue Sky, Pink Floyd Todo o CD The Wall é sobre os efeitos da guerra. Vale a pena ouvir o CD e ver o filme,"The Wall"
"Look mummy, there's an aeroplane up in the sky" Did you see the frightened ones? Did you hear the falling bombs? Did you ever wonder why we had to run for shelter when the promise of a brave new world unfurled beneath a clear blue sky?
Did you see the frightened ones? Did you hear the falling bombs? The flames are all gone, but the pain lingers on.
Goodbye, blue sky Goodbye, blue sky. Goodbye. Goodbye. Goodbye.
"The 11:15 from Newcastle is now approaching" "The 11:18 arrival...."
Sacrificed Sons, Dream Theater Terrorismo é uma guerra não é?
Walls are closing anxiously Channel surfing frantically Burning city, smoke and fire Planes, we're certain. Faith inspired?
No clues a complete surprise We'll be coming home tonight
Heads are turning towards the sky Towers crumble, heroes die
Chorus: undefined Who would wish this on our people? And proclaim that his will be done Scriptures say he had misled them All praise their sacrificed sons All praise their sacrificed sons
[instrumental section]
Teach them what to think and say Your ways saw in lightning Watch them preach i can't relate It cuts true love, ?? of hate
Chorus:
Who would wish this on our people? And proclaim that his will be done Scriptures say he had misled them All praise their sacrificed sons All praise their sacrificed sons
God on high A mistake Will mankind Be extinct
There's no time Time to waste Who serves the truth For heaven's sake?
Civil War, Guns N' Roses
"WHAT WE'VE GOT HERE IS FAILURE TO COMMUNICATE. SOME MEN YOU JUST CAN'T REACH... SO, YOU GET WHAT WE HAD HERE LAST WEEK, WHICH IS THE WAY HE WANTS IT! WELL, HE GETS IT! N' I DON'T LIKE IT ANY MORE THAN YOU MEN." * (whistle)
Look at your young men fighting Look at your women crying Look at your young men dying The way they've always done before
Look at the hate we're breeding Look at the fear we're feeding Look at the lives we're leading The way we've always done before
My hands are tied The billions shift from side to side And the wars go on with brainwashed pride For the love of God and our human rights And all these things are swept aside By bloody hands time can't deny And are washed away by your genocide And history hides the lies of our civil wars
D'you wear a black armband When they shot the man Who said "Peace could last forever" And in my first memories They shot Kennedy I went numb when I learned to see So I never fell for Vietnam We got the wall of D.C. to remind us all That you can't trust freedom When it's not in your hands When everybody's fightin' For their promised land And
I don't need your civil war It feeds the rich while it buries the poor Your power hungry sellin' soldiers In a human grocery store Ain't that fresh I don't need your civil war Ow, oh no, no, no, no, no
Look at the shoes you're filling Look at the blood we're spilling Look at the world we're killing The way we've always done before Look in the doubt we've wallowed Look at the leaders we've followed Look at the lies we've swallowed And I don't want to hear no more
My hands are tied For all I've seen has changed my mind But still the wars go on as the years go by With no love of God or human rights 'Cause all these dreams are swept aside By bloody hands of the hypnotized Who carry the cross of homicide And history bears the scars of our civil wars
"WE PRACTICE SELECTIVE ANNIHILATION OF MAYORS AND GOVERNMENT OFFICIALS FOR EXAMPLE TO CREATE A VACUUM THEN WE FILL THAT VACUUM AS POPULAR WAR ADVANTAGE PEACE IS CLOSER" **
I don't need your civil war It feeds the rich while it buries the poor Your power hungry sellin' soldiers In a human grocery store Ain't that fresh And I don't need your civil war No, no, no, no, no, no, no, no, no, no, no, no I don't need your civil war I don't need your civil war Your power hungry sellin' soldiers In a human grocery store Ain't that fresh I don't need your civil war No, no, no, no, no, no, no, no, no uh-oh-uh, no uh-oh, uh no I don't need one more war
I don't need one more war No, no, no, no uh-oh-uh, no uh-oh, uh no WHAZ SO CIVIL 'BOUT WAR ANYWAY? (whistle)
... Luxo, calma e desejo.
Porque um novo Blog? Sei lá, cansei do antigo. Vida nova, Blog novo. E nesse pretendo ser mais ativo, sei lá, nem que seja só pra falar pra mim mesmo. :D
Tenho sentido necessodade de escrever, mas uma necessidade de escrever pra fora, de sei la, externar quando estou bem, quando estou feliz, quando me animar com um projeto novo, quando abandonar um antigo, é isso, me escrever, e me reescrever, e me descrever, e me transcrever. Isso é um bom registro, depois eu leio e vejo como eu estava - sim, como eu estava, e não quem eu era, porque a gente nunca é, a gente sempre está. Mutatis mutandis.
E de repente, tudo muda. As coisas passam de forma alucinantemente rápido. Escola e faculdade são mundos diferentes, muito diferentes. Mas não foi só isso que mudou. Desde o segundo ano eu estudava italiano, mas foi só quando eu começei a estudar francês que eu vi como eu realmente gosto de aprender língua estrangeira, e gosto muito. desde então me arrisco no alemão e no latim também, mas minha dedicação real é pro francês e pro latim.
Latim é uma língua bem difícil, cheia de declinações e mecanismos próprios de funcionamento. Estudar latim é muito legal pra quem quer aprender mecanismo de língua, mas não pra quem quer aprender língua pra falar. Latim é bom pra quem quer estudar etimologia, bem como o grego, mas esse aí eu nem quero me arriscar...ainda. Fora isso, latim é legal pra quem precisa ler citações latinas constantemente, eu quero aprender o mais rápido possível, mas ainda tenho que me convencer a decorar as declinações ;D
O Francês é uma língua absurdamente interessante, única. É a única língua que escrever é absurdamenter mais difícil que falar, vai se arriscar a por os acentos certos na hora certa! É uma questão de prática! Mas compensa, porque é uma língua basurdamente bonita também. E as francesas te ouvem se você fala em francês, isso é muito importante.
Eu gosto muito de tudo que eu já li de literatura francesa. Quase tanto quanto eu gosto da literatura brasileira, que pra mim é sem comparação - porque é escrita na lingua mais bonita de todas, a nossa - e eu tenho me esforçado pra ler mais em francês. Achei até num sebo um livrinho de escola primária lá da frança. O troço é muito maneiro, muito interessante. Mas como estava muito velho, não tinha como manusear. Então eu xeroquei ele todo, me custou dez vezes mais que o um real que eu gastei comprando ele. É especialmente interessante, além de achado arqueológico - é de 1932 - porque estudar uma língua nova é basicamente se alfabetizar de novo, então um livro de ensino fundamental é perfeito. Fora ele, que ainda vou começar a mexer, tenho arranhado alguma coisa do sofocles em francês, que me animei a ler depois de ler a Antigone do Jean Anouilh. Como eu disse, é uma literatura maravilhosa. Especialmente o teatro e a poesia.
Falando em poesia, e no espírito francês, vou aproveitar e colocar aqui minha versão em português da L'invitation au voyage, do Charles Baudelaire:
Convite à Viagem
Ah, minha querida,
Que tipo de vida
Juntos iríamos ter!
Amar à vontade,
Amar de verdade
Tudo me lembra você!
Os sóis ofuscados
de dias nublados
Pra mim tão encantados,
Tão misteriosos
E tão mentirosos,
Como seus olhos molhados.
Lá, tudo é como eu vejo:
Luxo. Calma. E desejo.
Os anos passantes
Polem nossa estante
E os outros móveis do quarto.
As mais raras flores
Misturam odores
A um doce cheiro ingrato.
Nosso teto lindo,
Nosso espelho limpo,
O esplendor oriental,
Tudo sussurando,
Tudo segredando,
Sua doce língua natal.
Lá, tudo é como eu vejo:
Luxo. Calma. E desejo.
Vê, lá, ancorados,
Mil barcos parados
Que só querem relaxar
Para saciedade
Da sua vontade
Que vêm de todo lugar.
Cada sol que dorme
Todo o campo cobre,
Os barcos, toda a gente,
De ouro e jacinto.
O mundo dormindo
Numa luz gostosa e quente.
Lá, tudo é como eu vejo:
Luxo. Calma. E desejo.
L'invitation au voyage
Mon enfant, ma soeur,
Songe à la douceur
D'aller là-bas vivre ensemble!
Aimer à loisir,
Aimer et mourir
Au pays qui te ressemble!
Les soleils mouillés
De ces ciels brouillés
Pour mon esprit ont les charmes
Si mystérieux
De tes traîtres yeux,
Brillant à travers leurs larmes.
Là, tout n'est qu'ordre et beauté,
Luxe, calme et volupté.
Des meubles luisants,
Polis par les ans,
Décoreraient notre chambre;
Les plus rares fleurs
Mêlant leurs odeurs
Aux vagues senteurs de l'ambre,
Les riches plafonds,
Les miroirs profonds,
La splendeur orientale,
Tout y parlerait
À l'âme en secret
Sa douce langue natale.
Là, tout n'est qu'ordre et beauté,
Luxe, calme et volupté.
Vois sur ces canaux
Dormir ces vaisseaux
Dont l'humeur est vagabonde;
C'est pour assouvir
Ton moindre désir
Qu'ils viennent du bout du monde.
— Les soleils couchants
Revêtent les champs,
Les canaux, la ville entière,
D'hyacinthe et d'or;
Le monde s'endort
Dans une chaude lumière.
Là, tout n'est qu'ordre et beauté,
Luxe, calme et volupté.