sábado, 30 de outubro de 2010

Entre a Cruz e a Espada
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uma curta história sobre redenção

Prólogo:
Abutre aos abutres


e então acorda.
Seus fantasmas o perseguem
"Ai, vindes outra vez, inquietas sombras!"
Era um mercador, antes um usurário
e mais, assassino:
indiretamente ceifara vidas
que definharam, se prostituiram
e roubaram em nome de seus títulos
e de suas armas.

Arrependido, não mais podia conviver com isso
deixou o ramo, deixou o dinheiro
e se tornou mais um entre os mendigos
mais um entre os explorados
pelos agiotas, abutres de Prometeu

Nunca perdoado pelos homens,
antes o mais sacrificado entre os explorados,
procura o perdão de Deus,
e à igreja se dirige, com uma multidão de fiéis
que aguardam a redenção
e a salvação...

Parte I:
Em nome de Deus.


"Mas, padre, se a guerra é Santa
porque eu tenho que derramar tanto sangue?"
"O sacrifício dos infiéis redimirá teus pecados."
"Como?"
"Jesus foi batizado com água, tu serás batizado com sangue."
"Mas...e os mandamentos?"
"Só vai. Essa é a vontade de Deus"

Invadir. Destruir. Matar os impuros.
Que Deus é esse que eu não conheço?
Derramar sangue, derrubar os muros.
Se salvar, se salvar a qualquer preço.

Parte II:
A Cruz e a Espada


Pilhagens e pilhages
de mercadorias, moedas e corpos
de corpos, de almas, de sangue
de sangue escorrendo
escorrendo impuro e fiel
fiel que não pesa a alma
ou o sopro divino no eterno verbo
que no inicio era amar
e hoje é matar
matar ou morrer

"Na pior das hipóteses morrerás. Não te preocupes.
Morra por Deus e serás salvo"

Com a cruz e a espada eu fui à luta.
Nela joga-se a cruz fora,
Ela não te protege contra força bruta.
Deus, Uma infiel está sob a minha lâmina agora.

Parte III:
Dez segundos


Por dez segundos meu coração parou
e minha mente correu
correu por um espaço infinito
que findou por me levar de volta à igreja

O padre de minhas confissões
de minhas penitências
e que me levou a essa jornada insana
nos limites entre o certo e o errado
...o profano e o sagrado...
...a virtude... e o pecado...

Minha lâmina acaricia a face da bela infiel
seus olhos negros me soam pecado
pecado de sua opção, de não crer no divino
de equiparar meu Deus em Cristo e Maomé
pecado maculado de heresia vermelha
vermelha de sangue ainda em suas veias,
e vermelha de vinho, da maçã
daquela maçã que todos provamos

É realmente bela a infiel
imagino que, pelos traços, seria mãe de belas crianças
e imagino que, pelos traços, deve ser linda debaixo do véu
talvez mais linda ainda debaixo dos lençóis...

Não! Ai, terrível dama!
trouxeste no seio rubro de tua maçã
a serpente original
e me tentaste, me tentaste ao pecado!
O padre está certo, os infiéis são um mal
a ser expurgado da Terra Santa
à Cruz e à Espada!

Parte IV:
Quem manda?


"Caso necessário faça pilhagens pelo caminho"
"Sétimo mandamento sagrado de Deus: Não furtar"
"Décimo mandamento sagrado de Deus: Não cobiçar as coisas alheias"
"Mate-a, deixe o rubro escorrer e te purificar."
"Quinto mandamento sagrado de Deus: Não matar"

Borrando o conceito de virtude e pecado
Padre, me fizeste sentir assim.
Já não sei o que é certo ou o que é errado.

Deus! Esta pequena é realmente culpada?
Quem bateu o martelo em seu julgamento?
A Cruz que perdoa, é também o revés da Espada?
ou são a Espada e a Cruz duas formas da mesma coisa?
qual mandamento devo seguir,
os revelados a Moisés no Sinai?
ou os do padre devo cumprir?
Dai-me uma réstia de Vossa Luz, Pai!

Parte V:
Sob a mercê


Entre a cruz e a espada estou agora
é bela a infiel. A lâmina encosta em sua face
Padre, me fizestes jogar a palavra sagrada fora?
És tu o Diabo sob disfarçe?

Os mandamentos mosaicos
formam um mosaico perplexo em minha mente
cacos de uma verdade, absoluta?
espelhos de minh'alma dissoluta
não, não vou ser cúmplice desse holocausto frenético
e colar os fragmentos do Santo e do Ético

Não sou mais parte dessa cruzada
Viro a lâmina em mim,
Me ponho à mercê do fio da espada.

Parte VI:
Réstia de Sua Luz


Não, não ainda
Percebo agora a verdade
Mil vidas são ceifadas nessa terra
pelos mandos de uma só voz

Não, não ainda
Percebo a minha missão agora
Uma vida será ceifada em nome de mil
e mil testemunhas me defenderão no tribunal do Sagrado

Parte VII:
Um pouco de redenção


"Ah, meu filho,
Que alegria me dá vê-lo bem.
Tiveste sucesso em sua campanha?"

"Sim, padre,
tive sucesso em minha jornada
alcancei a Verdade que vinha buscando,
o que nos leva à próxima questão..."

"Qual seria?"

"Eu te trouxe um pouco de redenção, Padre"

Parte VIII:
O vinho da redenção

Finalmente me sinto pronto
Meu fio da espada agora rubro
Me parece uma clepsidra
ainda disposta a beber de mais vinho
o vinho da redenção
que me foi oferecido profeticamente pelo senhor
que enviei agora para o País Desconhecido
que inda citará o principe da Dinamarca

Não, não me arrependo de nada
e ainda me arrependo de tanto!
O que foi, está feito, feito está
e não cabe a mim julgar,
e sinto que sou citado pelo Tribunal Celeste
ouço a trombeta da anunciação, Gabriel,
e ela toca a minha marcha fúnebre

Dirá o poeta:
"Le gouffre a toujours soif,
La clepsydre se vide"
e eu remendo:
Ma clepsydre a toujours soif,
et donc, je lui donnerais du vin,
de mon vin de rédemption

Parte IX:
Julgamento


Boa noite, Santo meritíssimo,
Estou aqui para expor os fatos:
O réu em questão foi violentíssimo,
Ele tem de pagar pelos seus atos

“Oh! Que será que ele fez?”
“Meu Deus, deve ser perigoso!”
“Ordem no tribunal!”

O réu se julgava justo,
Quando ceifou a vida de milhares,
Imagina o meu susto,
Quando em sua defesa ele culpou o padre!

“Oh, o padre?”
“Traga o padre!”

Deus! Esse diabinho é um verdadeiro mau agouro!
Eu ordenei o massacre, sim,
Mas ele não devia ter ceifado a mim como a um mouro!
Eu, que fiz tudo seguindo Vossa palavra tim tim por tim tim!
Meritíssimo, joga o réu ao fogo!

“O acusado tem algo a dizer em sua defesa?”
“Seja feita a vossa vontade,
me submeto à Justiça da Cruz..”

Mil vozes de inocentes objetaram
As boas intenções do ex-usurário
Se converteram em votos de confiança
E ao mero escutar das vozes,
O Juiz compreendeu que a Justiça da Espada
já tinha sido feita
e que justiça deveria ser paga com justiça

“Que a Espada da Justiça seja justa, levem-no daqui!”

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

TO THE VIRGINS, TO MAKE MUCH OF TIME.
by Robert Herrick


GATHER ye rosebuds while ye may,
Old time is still a-flying :
And this same flower that smiles to-day
To-morrow will be dying.

The glorious lamp of heaven, the sun,
The higher he's a-getting,
The sooner will his race be run,
And nearer he's to setting.

That age is best which is the first,
When youth and blood are warmer ;
But being spent, the worse, and worst
Times still succeed the former.

Then be not coy, but use your time,
And while ye may go marry :
For having lost but once your prime
You may for ever tarry.


PARA AS VIRGENS, QUE FAÇAM PROVEITO DE SEU TEMPO
Robert Herrick, vertido por Cristiano Gomes

COLHA tuas rosas enquanto podes
O velho tempo corre sem fim,
E a mesma flor que hoje sorri
No amanhã jovem morre

O lume glorioso do céu, chamado Hélio
No seu incansável diário subir
Tem seu incansável diário cair
E seu diario morrer, sem jamais ser velho

Que a melhor das idades é sempre a primeira,
Quando são mais quentes o sangue e a juventude
Que de mal vai a pior, a cada minuto que se use
E de pior em pior se vai, até a hora derradeira

Que não te acanhes, e que o tempo aproveites
E ainda que te cases um dia:
Quando perderes a juvenil primazia
Que pode ser que para sempre espreites

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Analogia Espinhos bem armados Para proteger-me de mim mesmo Pele bem grossa para me adaptar e a doce água dentro de mim Queima-me ferozmente o sol Seus raios dão-me vida e dão me morte tal qual o ar que eu respiro Então passa um sertanejo Armado, para proteger-se com pele grossa, grossa para se adaptar com menos doce água dentro em si mas forte para pela vida pelejar Queima-lhe ferozmente o sol Mas a dificuldade dá-lhe vida dá-lhe vida e morte e o ar, o ar dá-lhe forças para lutar

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O último suspiro da Maçã de Prata Imensas muralhas, impenetráveis antes Ora tremem ante a gigante bombarda Constantino e sua famosa armada Defendem sua capital agonizante´ A última ruína da Grande Roma, Que pôde sobreviver a armas e anos, Perdida, para sempre, para os otomanos Entre pedaços de sua antiga redoma Constantinopla, cercada, ora perdida! Sua catedral agora é uma mesquita! Cristo esquecerá que você existiu... A lua se apagou sobre o seu negro céu Suas mulheres usarão sempre véu E só Maomé lembrará o seu nome