domingo, 14 de novembro de 2010

L’ENNEMI
par Charles Baudelaire

Ma jeunesse ne fut qu’un ténébreux orage,
Traversé çà et là par de brillants soleils ;
Le tonnerre et la pluie ont fait un tel ravage
Qu’il reste en mon jardin bien peu de fruits vermeils.

Voilà que j’ai touché l’automne des idées,
Et qu’il faut employer la pelle et les râteaux
Pour rassembler à neuf les terres inondées,
Où l’eau creuse des trous grands comme des tombeaux.


Et qui sait si les fleurs nouvelles que je rêve
Trouveront dans ce sol lavé comme une grève
Le mystique aliment qui ferait leur vigueur ?

— Ô douleur ! ô douleur ! Le Temps mange la vie,
Et l’obscur Ennemi qui nous ronge le cœur
Du sang que nous perdons croît et se fortifie !

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O INIMIGO
Charles Baudelaire, vertido por Cristiano Gomes

Minha juventude foi apenas um tenebroso mau tempo,
Entrecortado aqui e ali por brilhantes ensolarados;
O trovão e a chuva me feriram tanto com seu vento
Que me restam no jardim escassos frutos avermelhados.

Eis então que alcancei o outono das idéias
Quando se necessita da pá e do ancinho o uso
Para assemelhar ao novo as inundadas terras,
Onde a água esvazia em fossas como fossem túmulos.

E quem sabe se as flores novas que penso
Encontrarão nessa areia lavada como a da praia
Seu vigor a sorvir desse místico alimento?

— Ó dor! Ó dor! O Tempo devora a vida,
E o umbroso Inimigo que nos rói o coração
Com o sangue que perdemos cresce e fortifica!

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